Marãiwatsédé: uma terra disputada entre o povo Xavante e o agronegócio

Foto: Adriano Gambarini/OPAN

Mariana Sanchez, com informações de Andreia Fanzeres e Felipe Milanez
Especial para o Giro Sustentável

Para os índios Xavante que estiveram na Rio+20 em busca de uma resolução para um problema que já dura quase meio século, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável parecia haver terminado com saldo positivo. Desde os anos 1960, a comunidade de Marãiwatsédé luta pelo direito de permanecer em seu território de origem, localizado nos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, ao nordeste do Mato Grosso.

Na Eco 92, o governo brasileiro havia prometido devolver a terra aos indígenas. Porém, apesar de tê-la homologado por decreto presidencial em 1998, nunca houve real fiscalização, e fazendeiros, posseiros e grileiros continuaram explorando ilegalmente o agronegócio no local. Durante a Rio+20, o conflito parecia estar se aproximando de uma solução, quando a FUNAI garantiu a legitimidade da posse da terra pelos Xavante e deu um prazo para a retirada de não-índios da área. Mas a verdade é que tudo permanece igual naquela região. Igual não, pior: a pressão dos indígenas na Rio+20 e a decisão da Justiça Federal determinando a saída dos invasores intensificou a revolta dos grandes ruralistas, que se negam a deixar o território e vêm incitando confronto físico.

A data limite para apresentação do plano de desintrusão da terra indígena se aproxima. Recentemente, o INCRA indicou que 500 famílias residentes em Marãiwatsédé poderão ser transferidas para outras propriedades em municípios próximos. Por conta dessa conjuntura, o governo de Mato Grosso correu para Brasília para tentar todo tipo de articulação e pressão, visando a permanência dos grandes ruralistas em Marãiwatsédé – a despeito do que determinaram diversas decisões judiciais, em processos que perduram há 20 anos. Tanta demora fez com que Marãiwatsédé tenha se tornado, hoje, a terra indígena mais devastada da Amazônia brasileira. (Clique para continuar lendo.)

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