Hoje às 14h: Xavantes fazem tradicional corrida de tora na Marcha Global da Cúpula dos Povos

Tradicional corrida de tora. Foto: Carlos García Paret

Rio de Janeiro (RJ), 20 de junho de 2012 – Os índios Xavante de Maraiwãtséde, no Mato Grosso, vão realizar a tradicional corrida de tora durante a Marcha Global da Cúpula dos Povos. A concentração para a marcha será na Candelária e está marcada para às 14h desta quarta-feira, quando tem início o processo oficial da Rio+20 com a presença de centenas de chefes de Estado. A corrida de tora de buriti é uma das práticas mais tradicionais do povo Xavante. Trata-se de um revezamento em que duas equipes de gerações diferentes correm cerca de 8 km, passando a tora de cerca de 80 kg de um ombro para o outro até chegarem ao pátio da aldeia. “Estamos confiando na Rio+20 e vamos simbolizar isso. O peso da tora nas nossas costas representa o que nós enfrentamos há anos”, explica o indígena José de Arimatéia Tserewamriwe Tserenhitomo.

Em 1992, durante a Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, também realizada no Rio de Janeiro, a estatal italiana Agip Petroli – então proprietária das terras xavante –se viu forçada a anunciar a devolução do território a seus verdadeiros donos. A partir desse momento, o governo federal iniciou os procedimentos para demarcar a área indígena, enquanto fazendeiros da região, apoiados por políticos locais, começaram forte campanha de ocupação e desmatamento das terras, além de uma batalha jurídica contra o retorno dos indígenas.

Após 20 anos de omissão e promessas, cerca de 90% da terra indígena Maraiwãtséde foram devastadas pelos não-índios. A campanha pela retirada dos invasores de seu território ganhou força no último mês, após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) de Brasília, em maio, que revogou uma determinação anterior suspendendo a retirada de fazendeiros, posseiros e grileiros que ainda ocupam a Terra Indígena Maraiwãtséde. “A desintrusão está autorizada e todos os que ocupam a área deverão sair”, explica a procuradora da República Marcia Zollinger, do Ministério Público Federal de Mato Grosso.

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